Nessa fase da República, a maioria dos presidentes foram latifundiários de SP ou de MG, que criaram mecanismos de dominação para controlarem o cenário político em diferentes esferas:
MUNICIPAL (Coronelismo e voto de cabresto) - havia latifundiários com poder local, chamados coronéis, que compravam, obrigavam e persuadiam a população local para votar em seus aliados políticos a nível estadual, em troca de verba vindo destes.
ESTADUAL (Política dos Governadores e Comissão Verificadora de Poderes) - esta comissão diplomava/reconhecia a vitória, em votos, de deputados federais e governadores aliados ao Presidente, muitas vezes ilegalmente, num combinado onde esses governos estaduais recebiam verba vindo da esfera federal.
FEDERAL (Política do café com leite) - Sistema no qual as oligarquias de SP e de MG revezavam entre si para elegerem fraudulentamente um representante de uma das 2 oligarquias para ser presidente, através de combinados ilegais feitos nas outras esferas. SP simbolizava o café, pela sua importância econômica e por ser seu maior cultivador, e MG simbolizava o leite, pela política, já que o maior número de colégios eleitorais vinham de lá.
Muitos revolucionários conseguiram se mudar para uma região do Sertão da Bahia, chamada Canudos. Aquele era um vilarejo onde uma comunidade viva, liderada pela figura "messiânica" de Antônio Conselheiro, um católico fervoroso.
O governo passou a atacar sua população por causa da perda de mão-de-obra dos latifundiários (antigos trabalhadores rurais passavam a morar em Canudos), perda de fiéis da Igreja Católica, e porque a população de lá não pagava impostos.
A justificativa que o governo usou para começar a atacar a região foi a de que Antônio Conselheiro seria um monarquista, uma vez que defendia um Estado Religioso (e não laico), como era na Monarquia que antecedeu a República no Brasil.
Após a 4ª expedição do governo, a comunidade foi destruída e Antônio foi morto.
O Contestado era uma área disputada entre Paraná e Santa Catarina.
É então que o religioso José Maria se torna um líder "messiânico" e político e passa a popular a Região com seus seguidores.
O governo junto a latifundiários passam a lutar pelo Contestado, uma vez que buscavam a plantação da erva-mate e a construção de uma ferrovia no local, além de quererem esbranquear o território com imigrações europeias que iriam servir de mão-de-obra também.
Após os seguidores de José Maria tomarem o local, são formadas as Vilas Santas, que resistem até José Maria morrer e o governo conquistar o local.
Mesmo assim, havia a crença de que ele renasceria e estabeleceria um Reino Encantado.
Foi um movimento de resistência social rebelde a dificuldades sociais e políticas. Eles eram vistos nas comunidades como heróis, e como foras-da-lei pelas autoridades, uma vez que praticavam crimes para sobreviverem, sem nenhum projeto de transformação social.
Foi um movimento organizado e liderado pelo icônico Lampião, com um poder paralelo à República.