Dorian Gray

A trama de O Retrato de Dorian Gray desenvolve-se na cidade de Londres, na Inglaterra. A história é ambientada no final do século XIX, mais especificamente na época vitoriana.

Hedonismo → doutrina filosófica e moral que considera o prazer como o bem supremo e a finalidade última da vida humana. Para Lord Henry Wotton, as duas únicas coisas pelas quais realmente valia a pena viver a vida são a Juventude e a beleza. Assim, ele influenciou Dorian Gray a fazer um pacto para continuar eternamente com a mesma aparência, pois ele era belo, mas ainda iria envelhecer.

Prazer para Dorian: gratificação instantânea, sensorial e estética. Colecionar experiências sem barreiras morais

Felicidade para Dorian: Seria a paz de espírito, a ausência de culpa e a harmonia consigo mesmo e com a sociedade.

A corrupção moral de Dorian Gray aconteceu em um processo lento de degradação da empatia e da consciência. No sentido filosófico e moral, Dorian viveu uma vida corrompida porque inverteu a lógica dos valores humanos, substituindo a ética pela estética. Dorian se torna indiferente ao sofrimento alheio, arruinando a vida das pessoas ao seu redor em troca de satisfação pessoal. "A opção pela vida devotada ao prazer egoístico destrói qualquer perspectiva de felicidade."

Os Efeitos das Escolhas em Sua Alma

O retrato trancado no sótão funciona como uma metáfora visual de sua alma. Cada escolha imoral de Dorian gera um efeito destrutivo imediato em seu espírito, ou seja, a alma de Dorian Gray vai ficando cada vez mais "suja" e "podre" a cada ação imoral que ele faz.

Arrependimento e remorso

A contrição (arrependimento sincero) é a tristeza sentida pela ofensa ao outro e a Deus. Leva ao propósito firme de não pecar novamente e mudar de vida (conversão).

Já o remorso é a tristeza centrada nas consequências negativas do mal praticado. Frequentemente, se tiver a oportunidade, a pessoa com remorso repetirá o erro, pois não houve uma verdadeira conversão. Leva a pessoa a se esconder e, frequentemente, a justificar seus atos EX: Dorian Gray culpa Lord Henry Wotton pelo o ter induzido a fazer o pacto que o tornou o ser monstruoso que era, sem admitir que o fez por sua própria conta e risco.

Dorian Gray nunca se arrependeu de verdade pelo que fez, apenas sentiu o remorso, o sofrimento dele é direcionado ao horror de ver a própria alma deformada no quadro. Isso é comprovado na cena onde ele pede para o padre ajudar ele, mas sem pedir exatamente para ter seus pecados perdoados. Dorian vai até a igreja não porque reconhece a autoridade de Deus ou porque deseja mudar de vida, mas porque está sendo torturado pelo medo e pela paranoia, e vê o padre como alguém que iria arrancar a dor de dentro de si, mas sem abrir mão de quem ele é.

Cenas finais

No final do filme, podemos ver os 2 Dorians. O físico é a versão superficial dele (bonito, jovem, inocente). O do quadro é a versão verdadeira dele, a alma dele, quem ele realmente é por dentro (podre, suja, com cada ruga e deformidade representando um pecado, uma crueldade ou um rastro de corrupção moral que Dorian tenta ignorar ao longo da história.)

Ao confrontar Lord Henry no sótão (que descobre o segredo e incendeia o local) Dorian compreende que não há mais como fugir. A dualidade termina quando ele toma a decisão consciente de destruir o quadro, cravando uma lâmina no coração da criatura na tela (por causa do remorso, culpa e do desespero, e não por um arrependimento sincero). Ao golpear a pintura, ele destrói a barreira mágica que separava suas ações de seu corpo.

Toda a podridão, os crimes, sangue e as décadas de envelhecimento acumuladas na tela são transferidos instantaneamente de volta para o corpo de Dorian. Assim, as duas facetas do personagem finalmente se unem em uma única verdade. O Dorian jovem e angelical desaparece para dar lugar ao cadáver de um velho deformado, monstruoso e asqueroso.

Outros pontos importantes

A Beleza física é efêmera

a obsessão pela juventude e pela aparência é uma prisão. O filme ensina que focar exclusivamente no exterior, em vez de cultivar o caráter (a interioridade), destrói a verdadeira essência humana.

A Ilusão da Impunidade

a consequência de achar que se pode cometer maldades sem pagar o preço. O retrato serve como uma metáfora de que nossas ações nos marcam internamente, por mais que tentemos esconder a "feiura" de nossos atos do resto do mundo.

A Superficialidade da Sociedade

a alta sociedade vitoriana é retratada como hipócrita. As pessoas se importam muito mais com o status e a aparência pública de Dorian do que com quem ele realmente é por dentro.

Em uma parte do filme (antes do pacto), Dorian mostra que quer fazer a diferença naquela sociedade, ajudando os pobres, mas Henry Wotton mostra que quer que a Inglaterra fique exatamente como está (a fim de manter seus privilégios aristocráticos). Ele entende que o conforto, o luxo, e os prazeres intelectuais da alta nobreza dependem diretamente da exploração e da miséria da classe trabalhadora. Para que os aristocratas vivam como deuses, os pobres precisam continuar nos becos sombrios.

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